Na cosmologia iraniana de tradição zervanita «todos os fenómenos terrestres, abstractos ou concretos, correspondem a um termo celeste, transcendente, invisível, a uma "ideia" no sentido platónico. Todas as coisas e noções se apresentam sob um duplo aspecto: o de mênôk e o de gêtîk. Há um céu visível: há também um céu mênôk que é invisível. (Bundahishshn, 1º capítulo). A nossa terra corresponde a uma terra celeste. Qualquer virtude praticada na terra - no gêtâh - possui uma contrapartida celeste que representa a verdadeira realidade... O ano, a oração... Enfim, tudo o que se manifesta no gêtâh, é ao mesmo tempo mênôk. A criação é simplesmente desdobrada.»
(...)
O templo, lugar sagrado por excelência, tinha um protótipo celeste. (...) E quando David entrega ao seu filho Salomão o plano da construção do templo, do tabernáculo e de todos os utensílios assegura-lhe que «tudo isso se encontra exposto num escrito do eterno que me iluminou» (Crónicas, I, XXVIII, 19). Portanto, ele viu o modelo celeste.
in O Mito do Eterno Retorno
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