25.6.11

«"é aqui", diz ela tocando na garganta, "trago aqui um nó". há avareza na sua maneira de sofrer. nos seus prazeres, deve haver também. admira-me que esta mulher não tenha vontade, às vezes, de se libertar daquela dor monótona, aquele resmonear que volta a moer assim que ela deixa de cantar; que não deseje sofrer por uma vez, afogar-se no desespero. mas mesmo que quisesse, não poderia: aquele nó veda-lhe a saída do sofrimento.
(...)
três horas é sempre tarde ou cedo para aquilo que queremos fazer. já não posso fazer nada senão esperar a noite.»
sartre, a náusea

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