nos rodapés havia bichos e nos cantos do tecto humidade. não soube deixar-me devorar ou engolir. os putos passavam a correr, sem noção dos riscos, sem noção das horas, e corriam só atrás de coisas. não eram coisas importantes, com certeza não iriam lembrar-se no prazo de anos, meses, quem sabe semanas ou dias, o que afoga todo o potencial interesse do movimento. ao mesmo tempo, desejávamos correr como eles, que corriam atrás de nada, que nadariam atrás de nada noutro local e, talvez, voassem se preciso fosse. desejávamos correr só porque sim, em vez de nos ver amarrar às cadeiras e aos bancos e às pedras cobertas de lodo. sabíamos que havia algo pelo qual poderíamos correr, mas reconhecíamos a dificuldade-quase-impossibilidade e ficávamos a ficar. sabíamos que se não definíssemos um objectivo não podíamos falhar. sem que ninguém o dissesse ou admitisse, concordámos silenciosamente
& abrimos outra garrafa.
& abrimos outra garrafa.
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