20.2.11

voltemos ao quarto chinês

podia até temer a quietude da mente, quer como meio, quer como fim: que finalidade teria se já atingida e usada como meio? temo simultaneamente que, atingida como finalidade, lhe seja impossível manter-se como tal. há, no ponto onde é criado o caos, uma indispensabilidade absoluta. se o programa correcto não conduz obrigatoriamente à compreensão, quem me garante que estando a usar o programa errado a percepção doutrem não é a correcta? desconheço até que ponto a percepção sensorial traduz realidade. permito-me navegar através das sentidos por alteração induzida e acabo por questionar-me acerca da existência real da embarcação em que viajo. não duvidando de que navego, de que existo para navegar, como posso eu verificar que existe o porto e o rio e as ondas e as cordas quando o tamanho do meu braço/tamanho da embarcação não me permitem toca-lo? a viagem só existe na mente. e no regresso, acabo eventualmente por perdê-la.

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