23.11.10

arrasta-se-me nas noites, nos pulsos, nos poros. consome inexoravelmente a minha carne, os meus sentidos, o que resta do meu sangue. persegue-me no sono, nos livros, nos compassos, ainda que não entrando no meu quarto, rasgando a minha leitura ou sequer interrompendo a minha música. ainda que estando algures, é aqui que o sinto. não na cidade, não nas ruas, não nos lençóis onde soubemos pertencer, nem sequer nos bancos de autocarro, não entre paredes -mas colado à minha pele. esse cheiro a ti, a nós, a chuva, a calor, a corpos, a frio, teima em não sair, insiste em agarrar-se à minha derme. preciso da minha droga, do meu ópio, de metadona, de uma qualquer substância capaz de desintoxicar-me de ti. preciso do tempo que não tenho, do espaço que não me é concedido & preciso de ti.

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